Acontece que ontem eu vi um filme incrível. Só que ainda estou digerindo tudo aquilo. Depois eu conto tudo.
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O bichinho e o menino
Abril 13, 2009 · Deixe um comentário
Uma breve explicação: esse texto é uma tentativa de personificação e um “mate charada”. Fiz pra uma aula, único que gostei até agora.
Ele estava lá de novo no canto, quieto. Olhar distante, meditativo. Nem sequer se manifestava. Talvez seja a falta de uma companheira, dizia a mãe. Deve ser por causa da mudança, a avó se manifestava. Palpites vindos de todos os lados sugeriam algo para explicar o que estava acontecendo com a criaturinha. Tentaram de tudo, consultas, remédios, conversas, o tio trouxe até uma benzedeira. O bichinho ficava a cada dia mais amuado.
A casa não era mais a mesma, o silêncio varava as tardes. A hora do almoço mudou, a sua quietude atingiu a todos, só se ouvia o barulho dos talheres passando no prato, alguma conversa sobre o clima. Mesmo sem produzir som algum e mexendo-se pouco e com cautela, o pessoal da casa notava a presença quase imóvel.
Uma das tias disse que não suportava olhá-lo, pois lhe causava grande tristeza. Sempre lembrava dele tão exibido, mas agora nem as cores eram as mesmas de outrora, aquele silêncio todo lhe parecia aterrador. Sugeriu até que levassem o bicho pra fazenda, o ar de lá poderia ajudá-lo a melhorar.
O pai não deixou que um disparate deste acontecesse. Adorava o bichinho de cores engraçadas. Foi presente que sua mãe lhe deu quando ainda era pequeno. Era de um primo dela que estava se mudando para um apartamento em Copacabana. Era melhor mantê-lo longe da cidade grande. Ele era o único que sabia o que estava acontecendo. Ou, pelo menos, tinha alguma idéia do que afetava seu querido bichinho. Tinha certeza de que não era por causa da casa nova ou a falta de uma companheira. Desde que o filho mudou-se para outra cidade para fazer faculdade de Medicina notou que o pobre animalzinho passava as tardes olhando para a porta da área de serviço esperando aquele menino sardento voltar da escola. Porém, o menino cresceu e teve que seguir o caminho que escolheu e deixou a casa um pouco mais vazia.
Mesmo a mãe não sentia mais tanta falta. Claro que no início foi complicado para todos, pois o menino era o xodó da família. Com o tempo todos foram acostumando com a ausência vermelha e afobada, exceto o pobre animal. A cada dia que passava, menos barulho fazia, comia pouco, mal respondia aos estímulos. Nos últimos meses ficaram quase que totalmente paralisado, comendo menos ainda. O veterinário constatou que estava deprimido, mas o avô disse que aquilo era conversa fiada. “Onde já se viu bicho ter doença de gente? Esse veterinário quer ganhar mais dinheiro. Esse bicho tá velho, isso é normal. Eles vão ficando quietos mesmo.”
O menino era grande companheiro, passava as tardes fazendo o dever de casa na cozinha e conversando com ele. Morria de rir dos sons que o outro fazia, gostava das cores, dava comida escondido, sempre achando que o bichinho estava com fome. Quando a mãe via, lá vinha bronca. “Menino, não pode dar mais comida, esse bicho tá a cada dia mais gordo.” e sempre respondia “Mas mãe ele fez uma carinha que eu fiquei com dó e dei um pedaço do meu biscoito. Foi um pedaço bem pequeno, juro.”. A mãe sempre perdoava, o menino tinha uma cara irresistível. Não tinha um que não se apaixonasse por aquela cabeleira desgrenhada. O bicho também se apaixonou e estava ali deprimido há quase um ano.
O Natal estava chegando, deram um jeito de comprar passagem pro menino, que não era mais tão menino assim, vir visitar a família. O orçamento era apertado, os livros não eram baratos e morar na cidade grande custava caro. Todo mundo correndo, compras, alguns parentes vindo visitá-los, a avó sempre fez questão de que todos passassem o Natal juntos, era tradição. O menino Jesus e o resto de presépio tinham saído do armário, a prataria estava sendo polida, tudo igual como todos os anos, só a falta de barulho do bicho que estava fora das tradições. Ele sempre se animava quando a casa estava cheia, mas agora não parecia achar tanta graça, o menino só iria chegar no dia 23.
O tal dia esperado chegou. O pai foi buscar o menino-moço na rodoviária, muitos abraços. “Você não anda comendo por lá, não? Tá muito magro”, “Gosta do curso?”, “Já tem namorada?”. Foi um interrogatório sem fim por parte da mãe. Era de se esperar, a saudade faz isso.
Talvez o bicho tivesse pressentido, os sorrisos estavam diferentes dentro de casa, então começou a se inquietar. Não fazia muito barulho, mas andava de um lado pro outro, subia aqui e ali. Parecia procurar algo. Olhos postos na porta da área de serviço. Todos estavam tão preocupados com os arranjos de Natal que nem se deram conta de mudança de comportamento.
Chegando a casa, o pai foi abrindo a porta da frente, mas o menino insistiu que entraria pelos fundos. Vontade atendida. Foram para lá. O barulho da chave na porta deixou o bichinho ainda mais inquieto, dava até angústia de ver. Foi chegando perto. A porta se abriu e lá estava o menino da cabeça de fogo, descabelado, magro, sardento, um pouco maior, mais bonito, com cara de homem. E o bichinho colorido voltou a falar e dava pequenos voos de alegria. O que foi que disse só os dois sabem, ninguém, prestou muita atenção no bicho, só na volta do menino. Morreu logo depois de dizer suas últimas palavras e assobiar. Ele estava muito velho, foi o que o pai disse para consolar o menino. O Natal foi bem diferente mesmo, a voz estridente do bichinho e a alegria costumeira do menino fizeram falta.
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Fevereiro 24, 2009 · 1 Comentário
Sinto-me tão miseravelmente triste que nem sei o que fazer. Talvez eu não tenha visto o inferno em que estou vivendo há meses, mas agora eu percebo que não é boa coisa que eu preciso sair daqui. Quem nunca passou por coisa parecida não sabe nada. Nem nunca vai saber.
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Fevereiro 9, 2009 · 1 Comentário
Em dias de sol, fico em casa jogando sudoku. Quando chove, não saio. Dias nublados me agradam mais do que o normal, mas é bom de ficar sem fazer nada a não ser respirar. De vez em quando, coloco meus pés pra fora e vejo o vermelho das coisas. E aí, volto a escrever. Mesmo que diga qualquer coisa.
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Só para constar
Dezembro 19, 2008 · Deixe um comentário
Mesmo com todos os problemas ocorridos ao longo desse segundo semestre, consegui cumprir minhas obrigações acadêmicas. Em determinado momento pensei até em pedir um tracamento justificado, mas no fim deu tudo certo.
Agora, é me preparar pra nada. Ano que vem tem mais.
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Etiquetado: acadêmicas, ano que vem, nada, problemas, semestre, tudo certo
Gaiola
Dezembro 9, 2008 · Deixe um comentário
Há 3 dias eu não saio de casa. Por que? Porque é bom ficar quietinha quandoenvez
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Tudo ao mesmo tempo
Novembro 27, 2008 · Deixe um comentário
Problemas andam em grupo, mas aos poucos vou desfazendo os nós.
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Melhor
Novembro 13, 2008 · Deixe um comentário
Bem melhor esquecer pessoas do que guarda-chuvas. O problema é que é bem mais fácil deixar um guarda-chuva por aí.
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Chega de divisão
Novembro 12, 2008 · Deixe um comentário
Agora fico só com o Cositas. Gente, eu troco de bluógui como quem troca de roupa. Parece que eu tenho dupla personalidade, não dá.
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Em breve
Setembro 29, 2008 · Deixe um comentário
Quando eu tiver um tempo, vou falar sobre os Resnais.
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