Com cenários inspirados nos filmes da era do Cinema Mudo, cenas que remetem às películas do Expressionismo Alemão e Gloria Swanson magnífica. Precisa de mais alguma coisa? O filme de 1950 conta com outros complementos: ótimo roteiro, fotografia perfeita, outras atuações marcantes e Billy Wilder na direção.
O filme é sobre um escritor/roteirista que teve um pequeno sucesso, mas que nunca mais conseguiu despontar. Ele tenta vender suas histórias, mas nenhum estúdio quer comprá-las. Cheio de dívidas, durante uma fuga entra numa mansão que tem aspecto de um lugar abandonado, assim como em “Great Expectations” , de Charles Dickens. E, de fato, lá dentro mora uma mulher que lembra bastante a velha senhora do romance, a excentricidade é sua grande característica. Norma Desmond, uma grande atriz da época do cinema mudo que abandonou sua carreira. Joe Gillis, o escritor, é confundido com outra pessoa e convidado a entrar na casa.
O filme é composto por alguns planos memoráveis. Os cenários nababescos contribuem muito para a aparência decadente do palacete de Norma. Os primeiros movimentos de câmera já adiantam que o filme vai ser muito bom. Sou a favor da tese dos 15 minutos: se um filme me prende nos primeiros minutos, dificilmente ficarei decepcionada, mas se ele começa mal, vai terminar mal.
Uma das cenas mais representativas de “Crepúsculo dos Deuses”, título em português, foi terrivelmente “parafraseada” numa dessas novelas da Globo. Uma das coisas mais vergonhosas que vi nos últimos tempos.
Bom, creio que os novos roteiristas deveriam ver esse filme, não para pegar todas as idéias, mas para fazer algo consistente ou desistir de vez dessa vida. Pra quem gosta de um bom filme, é um prato cheio.


