Otras Cositas Más

Entradas etiquetadas como ‘filme’

A Fita Branca

Novembro 8, 2009 · Deixe um comentário

Michael Haneke é o tipo de roteirista que não gosta de entregar o filme prontinho, fechadinho e com um lacinho em volta para o espectador. E isso não é feito de uma forma desleixada e forçada. Há todo um pensamento envolvido.
“A Fita Branca” (Dass Weisse Band, 2009) é o filme austríaco que  ganhou a Palma de Ouro esse ano. Honestamente, não sei se merecia ganhar, pois não vi os outros, mas o filme de Haneke é belíssimo. A influência de Bergman é muito perceptível. Uma história sobre o nascimento do ódio, sobre pais e filhos e como a forma de criar a prole dificilmente muda de geração para geração, a não ser que aconteça algo, como uma Guerra pra onde todos os homens do vilarejo fatalmente irão e só sobrarão as mulheres. O que será feito desse tipo de criação?
O filme se passa num vilarejo alemão pouco antes da I Guerra Mundial. Estranhos eventos começam a acontecer na cidadela. Estes incidentes isolados vão tomando forma de um ritual de punição. O professor da cidade investiga o caso, tentando achar os culpados.
“A Fita Branca” dividiu opiniões do público em Cannes. Alguns alegaram que a quantidade de personagens confunde o espectador. Outros disseram que a fotografia de tão bela toma conta do filme e atrapalha no entendimento da história. Mas, na minha opinião, o filme austríaco é uma aula de sutileza. Um filme violentíssimo que não mostra nenhuma cena de violência, isso é admirável. A fotografia, em preto e branco, fez Haneke se aproximar ainda mais de Bergman. O gelo, o olhar das crianças, a religião, o ódio, a repressão, a criação severa, a repulsa e a crueldade, esses são alguns dos aspectos tratados na película. A fotografia só atrapalha aos maravilhados, sem ela o filme não causaria o impacto que causou, sem ela não teria como sair tão satisfeito dali. Cinema é música da luz e essa foi uma sinfonia de Beethoven, nesse quesito.
É certo que o filme tem seus problemas, ele parece mais longo do que é, por causa da tamanha densidade da história. A narração torna-se repetitiva, a partir de um certo momento. A necessidade de tornar o professor um pouco mais importante na história cria uma historinha em paralelo que não faz diferença alguma. Porém, apesar dos pesares, “A Fita Branca” é um filme belíssimo, com alguns diálogos primorosos.
Um amigo, logo depois que a sessão terminou disse “Isso aproxima-se à literatura. Aproxima-se tanto que eu precisaria de mais tempo para ver esse filme.” De fato, isso não agrada a todos, mas não há como negar a beleza do filme e a sutileza de Haneke. O filme deve estrear no Brasil no ano que vem. Quando isso acontecer, não deixem de ver, de forma alguma.

Trailer:

Categorias: Cinema
Etiquetado: , , , , , , , , ,

Como foi?

Outubro 1, 2008 · Deixe um comentário

Bom, não pude ver quase nenhum filme da mostra do Resnais. Pura falta de tempo.

O que vi?

Primeiro, “O Ano Passado em Marienbad”. Sei que muitos me agredirão, mas confesso que fiquei extremamente entediada quando fui ver esse filme. Claro, esteticamente ele é perfeito: as locações são belíssimas, a fotografia é maestral, é uma aula de fotografia para cinema. Porém, os filmes não devem se reduzir a isso, pelo menos na minha humilde opinião de leiga. Em algumas cenas, eu ria da interpretação exagerada, parecia cinema mudo, mas falado. Não sei qual foi a inteção, mas me passou uma péssima impressão. Acho que não tenho mais o que comentar sobre esse filme, minhas análises não são imparciais.

Depois, “Meu Tio da América”.  Esse é genial. Um início nada fácil de acompanhar. As personagens vão crescendo, ficando cada vez mais complexas, cada vez mais interessantes. A história que antes se parecia com um documentário ou um filme do Manoel de Oliveira vai ganhando uma força espectacular, entrando no psicológico daquelas três pessoas ali apresentadas. É encantadora a forma que Resnais conduz o filme. Pensei que  aquilo não fosse dar certo, quanta ingenuidade de minha parte.

É, de fato, um filme que me marcou e que me deixou com uma pontinha de inveja. A fotografia e a arte não são tão primorosas quanto em “O Ano Passado em Marienbad”, mas as interpretações e o roteiro são superiores, sem sombra de dúvida. Vale a pena ir atrás desse filme. Entra para minha lista de favoritos e futuras aquisições, certamente.

Categorias: Cinema
Etiquetado: , , ,

Filme de blog

Agosto 21, 2008 · Deixe um comentário

Isso não é um blog jornalístico, eu não sou crítica de cinema, só falo o que penso sobre filmes que vejo. De resto, deixo pra florear nos meus textos que faço pra universidade.

Na segunda-feira, 18, fui assistir o filme “Nome Próprio” no Teatro dos Bancários, Brasília. É um cineclube, toda segunda eles passam um filme nacional, com direito a discussão no final. Acho a iniciativa muito boa, mas bem que eles podiam colocar uns filmes brasileiros melhores na programação. Enfim, a questão não é essa. Falemos do filme do Murilo Salles.

Bem, eu esperava algo pior. Não, não estou dizendo que o filme é bom, mas eu aguardava uma bomba, um Belmonte da vida. Minhas expectativas não foram correspondidas, é um filme mediano. Isso só porque a Leandra Leal está muito bem e porque alguns planos são muito bonitos. De resto, nada.

Um amigo pediu pra que eu definisse “Nome Próprio” em uma palavra: longo.  Quando você está assistindo algo e olha no relógio o tempo todo, isso não é bom sinal. Eu torci, como quem torce pelo bronze brasileiro nas Olimpíadas, pro filme acabar. Para um filme “bloguiano”, ele estava muito lento.

Eu não conheço a obra da Clarah Averbuck, não analisei o filme como quem já leu algo dela. Ponto positivo pra mim, porque adaptações são sempre um drama. Mas pelo o que ouvi de quem conhece um pouco dos escritos dela, o filme estava aquém, me disseram que tinha pouco sexo ou que as cenas de sexo foram longas e poucas. O que eu achei foi que as atuações, tirando a da Leandra,  não foram das melhores. Faltou algo, esse algo pode ser técnica, mão firme do diretor, trilha sonora um pouco mais contundente e um pouco de realidade. Claro que eu não queria ver um “Contra Todos”, mas tinha algo de muito irreal naquilo tudo e era uma fantasia não muito boa, porque ficou no meio termo. Não fica claro como ela ganhava o dinheiro para se manter só escrevendo, esse é um dos pontos irreais da narrativa. Ninguém vive vários anos com 600 reais no bolso.

Vimos um underground pop, contraditório, por vezes, delicado. Tanto que eu saí do filme com a palavra “longo” na cabeça, nada me causou além do desconforto do tempo que não corria. Se essa foi a intenção do diretor? Não sei, ele não foi ao debate e eu também não fiquei para a discussão pós-filme.

“Nome Próprio” ganhou Gramado sim, mas o que é o Festival de Gramado? Perdeu-se no meio da Globo Filmes. A película tinha mais cara de Festival de Brasília, um estilo mais independente de se filmar.

Tinha muita coisa ali que era super lugar-comum, tentando ser inovador, umas frases muito clichês com pretensão. Quando se faz algo clichê, tem que se assumir como tal, senão fica mais feio. Diferentemente do que li por aí, o sexo não me incomodou, a nudez também não. Acho que as pessoas têm uma visão estranha sobre o sexo, como se ele não fosse algo normal, como se em qualquer papo de boteco isso não surgisse ou como se em QUALQUER papo isso não aparecesse.

Enquanto a personagem central cresce, o roteiro recua, perde-se nas frases feitas, na bricadeirinha de fazer cinema underground. A irrealidade torna-se mais evidente e a  impaciência invade o espectador. No meu caso, levantei, fui comer cigarros e tomar café. Nada apareceu nas conversas, terminou ali naquela sala.

Categorias: Cinema
Etiquetado: , ,