Bom, não pude ver quase nenhum filme da mostra do Resnais. Pura falta de tempo.
O que vi?
Primeiro, “O Ano Passado em Marienbad”. Sei que muitos me agredirão, mas confesso que fiquei extremamente entediada quando fui ver esse filme. Claro, esteticamente ele é perfeito: as locações são belíssimas, a fotografia é maestral, é uma aula de fotografia para cinema. Porém, os filmes não devem se reduzir a isso, pelo menos na minha humilde opinião de leiga. Em algumas cenas, eu ria da interpretação exagerada, parecia cinema mudo, mas falado. Não sei qual foi a inteção, mas me passou uma péssima impressão. Acho que não tenho mais o que comentar sobre esse filme, minhas análises não são imparciais.
Depois, “Meu Tio da América”. Esse é genial. Um início nada fácil de acompanhar. As personagens vão crescendo, ficando cada vez mais complexas, cada vez mais interessantes. A história que antes se parecia com um documentário ou um filme do Manoel de Oliveira vai ganhando uma força espectacular, entrando no psicológico daquelas três pessoas ali apresentadas. É encantadora a forma que Resnais conduz o filme. Pensei que aquilo não fosse dar certo, quanta ingenuidade de minha parte.
É, de fato, um filme que me marcou e que me deixou com uma pontinha de inveja. A fotografia e a arte não são tão primorosas quanto em “O Ano Passado em Marienbad”, mas as interpretações e o roteiro são superiores, sem sombra de dúvida. Vale a pena ir atrás desse filme. Entra para minha lista de favoritos e futuras aquisições, certamente.

