Lá se foi mais uma história que eu vivi. Sempre tive problemas com finais, mas eles são inevitáveis. Estou triste, estou mal, sem vontade de sair de casa, sem coragem de encarar a rua. Queria poder hibernar por alguns meses. Ficar com os meus livros, meus filmes, minhas músicas. Mas o mundo não para por minha causa, ele segue e eu tenho que correr atrás do tempo perdido.
Talvez eu compre sapatos novos, corte o cabelo, passe batom, coloque um vestido e caia na vida de novo. Talvez eu fique quietinha, escondida por uns dias, aproveite o feriado com gente que não liga se eu estive longe nos últimos meses, pessoas que continuam ligando pra mim mesmo que eu fique calada o dia todo, que se preocupam quando eu tô de cara amarrada, gente assim.
Pois é, pode ser que eu ouça músicas tristes, poder ser que eu veja filmes encharcada de lágrimas, pode ser que eu me ache em alguma lembrança bonita dos nossos dias bons, pode ser que eu tente ficar com raiva dessa situação.
Uma hora isso vai ficar mais fraco. Eu vou me ocupar com outras coisas. É bem possível que num domingo tedioso, eu me pegue lembrando de você. Pode ser que eu ria disso ou morra de saudade, mas acabe me distraindo com um livro ou uma série. Talvez eu pense que era bobagem, que ninguém é assim inesquecível, que não existe essa de “eu não posso viver sem você.”. A gente vive sim sem o outro, por mais que a vida perca um pouco da graça, da beleza, das risadas sonoras, do amor que um dia a gente sentiu, das piadas internas, dos apelidos bobos, das conversinhas amenas, dos planos, dos sonhos. Mas a gente continua a viver, seja do jeito que for, seja sem um pedaço ou aos pedaços, a gente continua…
Eu vou e você?
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Nem sei direito o que se passa comigo nesses últimos dias. Eu tenho me esquecido dentro de copos de cerveja e vinho. Entre um cigarro e outro vem um pouco de raiva de tudo o que não funcionou, lembrança de um sofrimento que eu não merecia, de uma covardia homérica. Eu ando tão confusa, cheia de rancores, desiludida em relação as pessoas. Não queria que fosse desse jeito, fiquei tão abalada, mudei mais do que eu poderia.
No começo, eu lutava pra não fazer planos, pra não fantasiar demais, porque era tudo tão longe e desconhecido. Aos poucos, fui me iludindo com promessas, me deixando atingir por variações de humor, vivia numa montanha russa de sentimentos, dois meses cheios de sofrimento. E, em alguns momentos, eu me alegrava com qualquer palavra menos ríspida, me satisfazia sorrisos pouco animados. Eu sabia que isso estava muito errado, mas queria arriscar, pois gostava demais.
A história estava se repetindo e eu sabia disso. Eu, que no começo, estava tão confiante e firme e não queria deixar ninguém me machucar de novo. Depois eu só conseguia sentir uma fraqueza imensa. Não entendo até agora porque fiz isso comigo. Estou cheia de dúvidas, de medos, de raivas e eu não gosto nem um pouco de sentir isso que estou sentindo por uma pessoa de quem eu gostava.
Quem me conhece sabe que quando eu gosto, eu gosto de verdade. Não jogo confetes em quem não merece, eu deixo tudo muito claro pra quem quer que seja, sem meias-palavras e olhares nublados. E sempre pessoas foscas cruzam meu caminho. Uma pessoa me disse certa vez que meu amor lhe causava medo. Que afirmação mais covarde. Que medo de sentir
Dessa vez eu fui com calma, queria deixar que as coisas acontecessem normalmente, tentava seguir a linha, andando sem vacilar. O problema é que o que é certo pra gente pode não ser certo pro outro. Eu só queria algumas certezas e não ganhei, eu queria bom dia ao pé do ouvido sempre e não pude ter, queria um telefonema recheado de palavras doces, mas nem todo mundo sabe o que fazer quando tem alguém nas mãos.
Muita coisa está diferente, nem sei mais se vou confiar meu coração a alguém de novo. Talvez. Esse negócio de prever o futuro não é comigo. Vou deixar festa acabar, barco correr, o dia raiar. Daqui a pouco é quarta-feira e tudo vai ser como tiver que ser.
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