Nota

Preciso voltar mais vezes aqui. Tinha tantas ideias, mas acabei esquecendo tudo.

Vou voltar

Definitivamente, preciso voltar a colocar coisas no papel. A partir de hoje, a correria aumenta. Até não sei quando, porque os professores resolveram entrar em greve.

Quando eu pensava que as coisas iriam ficar mais fáceis, que faltavam pouco mais de seis meses pra fechar esse ciclo. Porém, tudo muda. O jeito é ir.

 

Queria saber

Juro que faria qualquer coisa pra saber a causa do último aperto no peito. O problema é que ninguém vai me contar. Vamos para o eterno jogo de adivinhação. “Adivinha o que é?”. E aí passam dias, meses e eu nem me lembro mais o que tava sentindo. Melhor assim. Talvez seja falta de escrever. Talvez seja só falta mesmo. Sei lá do que. De vontade, talvez. Haja talvez nessa história.

Tá tão perto de fechar um ciclo da minha vida que não sei se fico feliz ou com medo. “Querido diário”, que vontade de hibernar. Mas eu só adiaria tudo de novo. É o medo de virar a página. Mas que besteira! Minha vida vai bem, obrigada. E eu insisto em complicar. Tá na hora de deixar a adolescência pra lá, né não?

Então vamos, porque sete meses voam.

Hoje

Meus textos já não têm a mesma cor cinza de antes. Diferente do dia que faz lá fora, sinto um coração mais aconchegado, cheio de sorrisos e vida. Eu sei que isso não deve ser definitivo, por isso aproveito cada gota que me dão dessa pequena felicidade. Nem tudo é morto, nem tudo é difícil, nem tudo tem cheiro de guardado, o mofo não está espalhado por todos os lugares.

 

Meu tempo é agora. E eu quero que o agora seja agora e não amanhã. Sigo em frente com coragem, olhando em volta, sem pensar no que vai ser de mim no próximo passo. É bom estar viva.

Normal

Até tenho histórias bonitas pra contar. Por exemplo, do dia em que ele olhou ela nos olhos e tudo se iluminou. Tenho histórias de um sentimento forte que une pessoas que nunca tinham se visto antes e que logo de cara se envolveram. Histórias de gente que dá certo. Bem melhor do que as dores enfrentadas por sujeitos tortos e problemáticos. Gente que vara as noites sem dormir por conta de um vazio imenso que consome a alma.

Diferente de muitos por aí, eu não quero saber de desgraças. Não quero saber de anjos tortos e gente difícil. Eu gosto de simplicidade e sorriso no rosto. Bom mesmo é quando tudo se ilumina e a vida muda pra melhor. Pena de gente que complica e que gosta de sofrer. Eu não fujo da luta e prefiro coisas boas.

Chega-se a conclusão, quando a maturidade vem, de que a melhor coisa que existe é ser normal. Por mais que “de perto ninguém é normal”. Não vamos entrar nesses detalhes bestas.

Calmaria

Há meses que não escrevo uma linha sequer. Talvez por não me sentir inquieta ou por não ter nada interessante a dizer. Quem quer saber de vidas tranquilas e histórias sem altos e baixos?

Dias de superação não têm feito parte da minha rotina. Pode parecer sem graça, mas, pra mim, é o melhor momento da minha vida até agora.

Ela

Ela exalava um cheiro de sol que despertava os homens sonolentos que se sentavam pelos bares da cidade. Independente da hora do dia, ela estava presente o tempo todo. Nem a chuva atrapalhava seus planos. As dores eram apenas dores e não mais os monstros de antes.

Ela encantava apenas de olhar com seus grandes olhos castanhos. Os corações se perdiam nela, se desmanchavam de prazer ao ver os sorrisos de boca inteira. Não tinha uma cidade que não tivesse caído aos seus pés.

Os passos eram leves como as roupas floridas que usava. Os cabelos emolduravam harmoniosamente o rosto bem feito. Ela era o começo de tudo. Ela era o amor encarnado em um corpo pequeno e magro.

As horas eram leves ao seu lado. Ela não sentia medo de ser tão feliz quanto realmente era. Dava até vontade de tocar a felicidade dela com as mãos. Dava vontade de ser ela, mas ninguém poderia ser além dela.