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A primeira parte da viagem

Vou contar essa história por partes, porque muitas coisas aconteceram em uma semana.

No final de julho fiz uma viagem à São Luís do Maranhão. O objetivo era cobrir a 43ª reunião da Sociedade Brasileira Para o Progresso da Ciência, a SBPC. Esse nome só me fazia lembrar de uma música do Watson, o título da música era igual ao nome da banda logo que eles começaram a tocar, Watson e o progresso da ciência.

A viagem foi custeada pela UnB, já que fui fazer a cobertura fotográfica do evento (prra quem não sabe, eu trabalho há uma ano e meio na Secretaria de Comunicação da UnB). Cobrir a SBPC está virando uma tradição na Secom. Dessa vez, a reunião aconteceu no Maranhão. Eu fui escalada junto com dois repórteres.

A saga da viagem começou na hora de tentar reservar um lugar pra ficar. Hotéis e pousadas lotados. O que fazer? Pedi ajuda a um amigo que tem parentes lá. Dias depois ele me mandou a resposta dela. Existiam duas pousadas com quartos vagos no centro, os hotéis mais baratos estavam com quartos reservados e os lugares que ainda tinham vaga custavam muito caro. O orçamento era baixo e precisávamos achar um lugar em conta para ficar.

Tentei insistentemente ligar em uma das pousadas, mas não atendiam. Finalmente, consegui falar na Pousada Maranhense. Eles não faziam reservas, segundo a moça que me atendeu, mas sempre tinham quarto vago. Era só ligar um pouco antes e avisar que estava chegando. Mandei e-mail para os colegas que iriam comigo dessa pousada e o pai de uma das repórteres conseguiu convencer a dona da pousada a reservar dois quartos pra gente. O preço da diária era bem em conta. Ao resolver isso fiquei aliviada, já que não iria ter que ficar embaixo da ponte.

Chegou o dia da viagem, era um sábado. O voo saía quase que no domingo. Foi tudo tranquilo, tirando o cara do meu lado que não parava de roncar e se mexer. O aeroporto era pequeno, foi difícil pra pegar a bagagem numa esteira cercada por gente que não dava licença de jeito nenhum. Esbarrei em um cara e ele ficou indignado, mesmo quando pedi desculpa. Daí, gritei com ele “Eu já pedi desculpas, cara”. E foi assim que pisei em solo maranhense pela primeira vez.

Aliás, quando saí do avião senti um bafo quente como nunca tinha sentido em toda a minha vida. Minha preferência por climas frios é conhecida, mas resolvi deixar o preconceito em casa e aproveitar a oportunidade que me foi dada. Para conseguir táxi foi fácil, apesar do aeroporto estar lotado. Demos o endereço para o taxista e ele foi. Chegamos perto de uma praça, então ele parou. Não tinha como entrar no quarteirão em que iríamos ficar. Ele não sabia o local exato da pousada, mas de longe eu vi a placa. Tivemos que ir andando até lá. Tinha um pessoal bem estranho naquelas redondezas.

Ao entrar na tal Pousada Maranhense, o cheiro de mofo gritou. Uns tipos estranhos saíam e entravam de lá. O cara disse que não tinha mais o quarto de R$80, mas tinha os de R$100. O motivo do preço ser mais alto não foi bem explicado. Segundo ele era porque os quartos tinham sido reformados recentemente. Por ser 3h da manhã, num local que julgamos ser um pouco perigoso e por não ter nenhum outro lugar pra ficar, resolvemos ficar. Os quartos tinham apenas camas de casal. Dividi um quarto com uma colega e o rapaz ficou sozinho no dele.

Depois de um tempo percebemos que não existia janela no quarto, nem ao menos um basculante no banheiro. Também não tinha controle do ar condicionado e temperatura estava em 17ºC e não existia cobertor no lugar. Mesmo se existisse, acho que eu não usaria. A pousada não era bem uma pousada. Muitos indícios de que era uma espécie de motel. Na tabela de preços que estava em cima do frigobar, anunciavam lubrificantes e preservativos. No espelho ao lado da cama, ofereciam “camisinha estimulante do prazer femenino”, isso mesmo, “femenino”, “camisinha retardante” e “gel lubrificante”.

Acho que foi uma das piores noites da minha vida. Não dormi quase nada. Sempre que pegava no sono, acabava acordando. Até liguei para alguns hotéis na madrugada, mas nenhum tinha quarto vago e o que tinha custava os olhos da cara. Foi terrível, porque nem tinha condições de sair pra caminhar, porque o horário não era próprio e nem tava muito afim de ficar no hall daquele lugar.

Quando amanheceu, decidi que iria sair pra procurar um lugar um pouco melhor pra ficar. Não iria conseguir ficar 7 dias naquela espelunca, muito menos com o cheiro de mofo e barulho de gente transando como se estivesse dentro do nosso quarto.

Eu e a Luciana resolvemos sair pra procurar um hotel. Andamos pouco mais de 50 metros e entramos num lugar chamado Lord Hotel. Pedimos um quarto triplo e o cara arrumou pra gente. Pedimos pra ver como era e nosso critério foi saber se o quarto tinha janela e tinha. Corremos pra pegar nossas coisas na Pousada Maranhense, pegamos a diária que pagamos adiantado e fomos felizes da vida.

O Lord deve ter sido um hotel de luxo no início do século passado. Precisava de umas reformas, mas era limpo. Tirando um mané que ficou na recepção um dia, o pessoal era atencioso. A moça que limpava os quartos veio perguntar se tava tudo certo. Quando fiquei sabendo que iria pra São Luís, já tinha imaginado que ficaria num local como aquele, sem muitos luxos.

E na noite daquele dia consegui dormir. E me senti num hotel de luxo, quando no dia seguinte descobri que tinha café-da-manhã. É impressionante como a gente passa a dar valor à pequenas coisas quando a gente passa por um perrengue.

Depois tem mais impressões sobre o Centro Histórico, o arroz de cuxá, o Restaurante do Senac e outras aventuras.

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Findi

Bom, foi um fim de semana atípico. Fui pra Pirenópolis, o Eduardo, um amigo, tem casa lá.
Bebemos, comemos carne adoidado, batatas assadas, cigarros enfileirados. Não conseguia passar das quatro da tarde, tirava um cochilo bonito no sofá. Saída estratégica que ganhou código: vou ali ler a piauí e já volto.

Muitas conversas boas, rindo das briguinhas do Eduardo e da Carol, fugindo das piadas. Incrivelmente não senti falta da internet, vai ver que é porque não tenho que ficar grudada no computador esperando um certo alguém entrar, passei dessa fase. Músicas, planos, conversas sobre o Réveillon, histórias. Eu precisava dar um tempo de Brasília, dos mesmos lugares, de tudo.

Claro que tudo tem limite, nada de curtir vibe da cachu, mas teve CJ. Tenho histórias terríveis sobre isso e dessa vez não foi diferente, paranóias, pressão caindo, topada na bancada, gente caindo, transpiração no máximo, depois tudo ficou bem e a gente começou a falar bobagem. Falar do casulão. Ai, o casulão.

Dormi bem, li “O Grande Gatsby”, devorei aquele livro, é ótimo. Preparação do churrasco, Carol abanando lindamente a brasa, quase morri de rir. Cervejas, cigarros, carne, muita carne. E, de novo, fui ler a piauí. acordei com uma movimentação de malas sendo arrumadas. É, tava na hora de voltar pra casa. A viagem foi tranquila e cá estou, bem cansada, e meu nariz ainda dói.