Hoje

Meus textos já não têm a mesma cor cinza de antes. Diferente do dia que faz lá fora, sinto um coração mais aconchegado, cheio de sorrisos e vida. Eu sei que isso não deve ser definitivo, por isso aproveito cada gota que me dão dessa pequena felicidade. Nem tudo é morto, nem tudo é difícil, nem tudo tem cheiro de guardado, o mofo não está espalhado por todos os lugares.

 

Meu tempo é agora. E eu quero que o agora seja agora e não amanhã. Sigo em frente com coragem, olhando em volta, sem pensar no que vai ser de mim no próximo passo. É bom estar viva.

Normal

Até tenho histórias bonitas pra contar. Por exemplo, do dia em que ele olhou ela nos olhos e tudo se iluminou. Tenho histórias de um sentimento forte que une pessoas que nunca tinham se visto antes e que logo de cara se envolveram. Histórias de gente que dá certo. Bem melhor do que as dores enfrentadas por sujeitos tortos e problemáticos. Gente que vara as noites sem dormir por conta de um vazio imenso que consome a alma.

Diferente de muitos por aí, eu não quero saber de desgraças. Não quero saber de anjos tortos e gente difícil. Eu gosto de simplicidade e sorriso no rosto. Bom mesmo é quando tudo se ilumina e a vida muda pra melhor. Pena de gente que complica e que gosta de sofrer. Eu não fujo da luta e prefiro coisas boas.

Chega-se a conclusão, quando a maturidade vem, de que a melhor coisa que existe é ser normal. Por mais que “de perto ninguém é normal”. Não vamos entrar nesses detalhes bestas.

Calmaria

Há meses que não escrevo uma linha sequer. Talvez por não me sentir inquieta ou por não ter nada interessante a dizer. Quem quer saber de vidas tranquilas e histórias sem altos e baixos?

Dias de superação não têm feito parte da minha rotina. Pode parecer sem graça, mas, pra mim, é o melhor momento da minha vida até agora.

Ela

Ela exalava um cheiro de sol que despertava os homens sonolentos que se sentavam pelos bares da cidade. Independente da hora do dia, ela estava presente o tempo todo. Nem a chuva atrapalhava seus planos. As dores eram apenas dores e não mais os monstros de antes.

Ela encantava apenas de olhar com seus grandes olhos castanhos. Os corações se perdiam nela, se desmanchavam de prazer ao ver os sorrisos de boca inteira. Não tinha uma cidade que não tivesse caído aos seus pés.

Os passos eram leves como as roupas floridas que usava. Os cabelos emolduravam harmoniosamente o rosto bem feito. Ela era o começo de tudo. Ela era o amor encarnado em um corpo pequeno e magro.

As horas eram leves ao seu lado. Ela não sentia medo de ser tão feliz quanto realmente era. Dava até vontade de tocar a felicidade dela com as mãos. Dava vontade de ser ela, mas ninguém poderia ser além dela.

Eu fui embora

O certo é que eu fui mesmo. Fui embora sem dar adeus, sem escrever bilhete, sem ser gentil com ninguém. Eu, que nunca fui embora de verdade, nem cogitei olhar pra trás. De nada serve se agarrar ao que não existe e só existiu de um jeito que você mesmo inventou.

Eu parti com o coração vazio, como nunca tinha ficado antes. Minha concepção de amar desse jeito vai muito além da dor suportável. Por isso, eu joguei tudo no lixo e tirei também a roupa que não me servia mais por estar impregnada de coisas mortas e sem solução. Da última vez que fui ensinar o que era o amor, terminei na sarjeta sem dinheiro, sem casa, sem coberta. Então eu nem peguei minhas coisas para não me sujar.

Eu deixei tudo no cabide, as louças desbotadas, o livros empoeirados no chão da sala. Queimei as fotos e um cachecol vermelho. Quebrei alguns discos que não ouvia mais. Deixei as meias encardidas no meio da casa com as garrafas quebradas na mesa e a dor que não era mais minha e fui.

Fui um lugar que não conhecia, mas que você não fazia parte. Porque era melhor um coração sem nada do que com você dentro. Porque as mentiras acabam e só fica mágoa. Porque a vida tem que ser melhor. Só pode ser melhor do que isso. Porque isso é o fim de tudo. E todo fim caminha pra um começo. Nem que seja assim do avesso, sem roupa, sem documento, sem sorriso, só com as mãos limpas e os cabelos um pouco bagunçados pelo vento. Porque é melhor ir do que chorar à noite. Porque eu só posso ser feliz longe daquela casa. E se não for aqui, vai ser em outro canto. Porque eu não tenho medo e você é feito disso.

O contrário

Ele tinha um cheiro forte e não conseguia fazê-la feliz. Tentava cozinhar para satisfazê-la, mas a comida era ainda pior do que a falta de gestos românticos e a pouca habilidade na cama. O rapaz tinha uma mania estranha de prometer uma coisa e logo quebrar a promessa. Disse que queria casar-se com ela, mas logo falou que era melhor que eles fossem com calma. Depois disse que não tinha intenções de traí-la, uma semana mais tarde, estava comprometido com outra, engravidara uma terceira e enganava mais duas. Ela não entendia, porque depois de um tempo, ele começou a jurar amor. Tudo culpa dessa coisa de família desregulada. O pai nunca ligou pra ele, a mãe tentava, mas não conseguia controlar os impulsos do filho. Ela tentou salvá-lo, mas ninguém consegue salvar ninguém. Só ficou mais triste, mais magra, mais presa na própria dor e não deu em nada. Ele continuava a mentir e ela continuava a chorar. Até o dia em que descarregou o revólver calibre 38 na cabeça dele e depois foi para uma festa. Não sei se vive em paz, mas parece melhor.

Pegando no pesado 2

Nessas sete semanas de exercícios e dietas, tenho me sentido bem melhor. Durmo muito bem e perdi 6 kg. Além da ergométrica, passei a correr no parque, coisa que não tenho feito desde o fim do horário de verão, mas, para compensar, me matriculei numa academia. Ou seja, além dos aeróbicos, tenho feito musculação também. Não é a mesma coisa correr numa esteira, mas é o que me resta, por enquanto. Tenho notado uma evolução na corrida, o que acho bem legal. E mesmo na esteira, é algo prazeroso. Também estou numa dieta com acompanhamento de nutricionista, o que ajuda.

Sair do sedentarismo faz bem.

Esse disco promete (porque ainda não ouvi, ok?)

2011 tem se mostrado um bom ano musical.

Assim como em 2010 ninguém poderia bater o disco do Beach House, acho que The Pains of Being Pure at Heart e James Blake (tinha me esquecido dele, como pode?) podem ser melhores do que o Radiohead que está por vir que foi lançado hoje. Sábado, hein? Saiu hoje de manhã, para a minha surpresa.

PS: o lançamento foi adiantado pra hoje. Baixa aí

Novo disco da PJ Harvey

Quer ouvir o álbum a ser lançado em breve? Vai aqui, ó. O lançamento oficial ocorrerá no dia 15 de fevereiro.

Eu ainda não ouvi o disco, mas ruim não deve ser. Polly Jean não faria isso conosco.

PS: escutei ontem. Gente, é lindo.

I’m back?

Estava passeando pelo meu lotado Google Reader. Em determinado momento dei de cara com os melhores 9 vídeos da semana do Stereogum e dou de cara com o clipe do Happy Camper, nome do projeto do holandês Job Roggeveen. O projeto conta com onze músicos, além de Job. E no meio de tanta gente, o frontman da banda é um yeti chamado Manfred (bichinho simpático).

Vê aí:

Tem até entrevista com o Manfred

E tem o disco em streaming aqui

Tenho que dizer que os holandeses têm me surpreendido.

Pegando no pesado

Devo ser uma das únicas pessoas que prefere fazer exercícios em casa. Pois é. Eu até gosto de correr na rua, me faz bem. Porém, há sempre fatores que acabam atrapalhando a rotina. É por isso que a minha ergométrica será usada com bastante frequência por mim ao longo dos próximos meses.

Comecei ontem. Não tem muito tempo, eu sei. Mas quero encarar essa rotina, como encaro algum trabalho ou a faculdade: tem que ser feito. Foram cinco terríveis quilos que eu ganhei no ano passado. Injustos quilos. Quer dizer, nem tão injustos, porque relaxei e exagerei. A meta é perdê-los, além de levar uma vida um pouco mais saudável ao longo da semana. Mudei minha alimentação e tudo mais.

Pois é, ano novo, vida nova e muito mais disposição. É assim que me sinto e é assim que tem que ser.

Descobertas

Depois de muito tempo de reclamações, lamentos, lamúrias e chatices, é muito bom perceber que a vida foi feita pra ser aproveitada e que nada mais importa. Não daquele jeito louco de aproveitar a vida. Mas de um jeito tranquilo e bom. We’re getting old, baby.

O difícil

É difícil ser feliz em dias abafados. Quando tudo parece não ter mais fim. Quando um fio de suor escorre pelas costas e só resta a esperança de que chova. Mas que chova de verdade. Que chova com muita vontade. Quando tudo parece inchar, quando a umidade pode ser cortada com as mãos. É difícil ser feliz em dias assim e assado.

Mas, também, é difícil ser feliz em dias azuis, ensolarados. Quando todos os pássaros cantam e te acordam sem um sorriso ao lado. Quando a grama parece mais verde. E as nuvens são escassas no céu sufocante.  Só resta a esperança de que a noite chegue logo e acabe com o sol brilhante e cheio de vida.

E é difícil também ser feliz em meio à chuva. Os pingos caem gelado sobre os cabelos e escorrem pelo rosto. Os raios cortam o céu e nenhum atende aquele pedido de cair sobre você. Quando o cinza do céu quase engole a terra. Quando o dia vira noite e os trovões ecoam. Só resta a esperança de que seque tudo, inclusive a dor.

Fácil é reclamar. Difícil é aceitar os minutos de alegria e estendê-los. Porque quando a felicidade chega, a gente perde as esperanças e não acredita no que se passa. E destruimos tudo e voltamos aos dias em que é difícil ser feliz, faça chuva ou faça sol. Porque tem gente que não sabe viver sem ter que reclamar das misérias e da infelicidade, por um dia que seja. Difícil é ter que conviver com essa falta de coragem.  Só isso.

 

 

 

 

 

Primeiros dias

O ano começou há poucos dias. Porém, com resquícios de 2010. Matéria pra entregar, trabalho pra terminar, assuntos sem resolução. Parece até que o ano não começou de verdade. Acho que isso só irá acontecer quando a UnB entrar em férias.

Mas já estou tomando providências, juro.

Acontece que

2011 começou. E aí que eu gosto muito de ano ímpar. E também resolvi mudar muita coisa no que diz respeito ao meu relacionamento com as pessoas. E outras coisinhas que não são impossíveis de cumprir.

Quanto ao querido blog, tentarei mantê-lo mais atualizado. Mas a vida é corrida e não posso prometer muita coisa. Quero ver se consigo fechar os textos do Woody Allen. Esses merecem uma atenção especial.

Bom, desejo a todos aqueles que não desistiram do Cositas, um Feliz Ano Novo e vamos lá, porque ainda tem muito ano em 2011.